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Deixa-ma ouvir o que não ouço

17 de dez. de 2011
3 min de leitura

"Deixa-me ouvir o que não ouço...

Não é a brisa ou o arvoredo;

É outra coisa intercalada...

​

É qualquer coisa que não posso

Ouvir senão em segredo,

E que talvez não seja nada...

​

Deixa-me ouvir... Não fales alto !

Um momento !... Depois o amor,

Se quiseres... Agora cala !

Tênue, longínquo sobressalto

Que substitui a dor,

Que inquieta e embala...

​

O quê? Só a brisa entre a folhagem?

Talvez... Só um canto pressentido?

Não sei, mas custa amar depois...

Sim, torna a mim, e a paisagem

​

E a verdadeira brisa, ruído...

Vejo-me, somos dois..."

​

Fernando Pessoa

Monserrate - Sintra

Google Maps: link

Palácio de Monserrate

No lugar onde hoje encontramos o Palácio de Monserrate, havia vivido outrora um cavaleiro moçárabe.

Quando esse cavaleiro morreu, foi sepultado nesse lugar e passou a ser venerado com fervor.

Então, durante o século XII, foi construído um santuário sobre o seu túmulo.


Quatro séculos mais tarde, o Padre Gaspar Preto reconstruiu aí uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Monserrate.

No início do século XVIII, esta quinta pertencia ao 36º Vice-Rei das Índias, o nobre Caetano de Melo e Casto, continuando a pertencer aos seus descendentes até meados do século seguinte.



Em 1790, a sua neta arrendou a quinta de Monserrate ao inglês Gerard Devisme.

Nessa altura, existia aí um edifício semelhante a um castelo, com duas torres, sendo uma delas uma torre de menagem, e com uma cobertura cónica.

No entanto, em 1794, Gerard Devisme partiu para Inglaterra e subarrendou a Quinta de Monserrate a William Beckford, que promove alguns restauros no edifício e investe principalmente a sua imaginação na envolvente paisagística, dando ao local um ambiente que combinava de forma perfeita com a atmosfera romântica que o próprio lugar já possuía.


Quando o contrato de arrendamento terminou, Beckford regressou a Inglaterra e a casa acaba por cair num abandono progressivo.

Em 1856, a quinta foi adquirida por Sir Francis Cook, um milionário inglês ligado ao comércio.

Dois anos depois, Sir Francis Cook trouxe para Sintra, com o objetivo de recuperar a quinta, o arquiteto James Knowles Jr., que se rodeou ainda de três homens talentosos: William Stockdale – paisagista, Francis Burt – jardineiro, e William Nevil – botânico.

Estes homens, inspirando-se nos ideais do romantismo, criaram jardins mágicos, cheios de surpresas tais como clareiras, relvados, bosques e vegetação exuberante trazida dos mais variados lugares do mundo, num total de mais de mil espécies conjugadas sabiamente.

​

Quanto ao edifício, ele foi projetado de uma forma particularmente interessante, num estilo neogótico, combinando elementos retos com uma torre circular e cúpulas bolbosas.

A sua decoração interior é uma decoração eclética com folhagens relevadas, bustos, arabescos, rendilhados finíssimos e arquiteturas de estilo indo-persa.

A galeria mourisca com as sua colunas em mármore rosa possui arcos polilobados que para quem os observa parecem não ter fim. A pedra acaba por se desmaterializar em bordaduras e rendilhados acompanhados pelo exotismo dos estuques de alguns artistas do Norte do país. A sala da música possui uma cúpula repleta de extravagância, combinando o branco da pedra com o dourado dos pormenores esculpidos delicadamente.


Após as obras estarem concluídas, foram colocadas no Palácio de Monserrate obras belíssimas e raras que serviriam como adornos mas que, infelizmente, nos nossos dias se encontram desaparecidas.


Quanto à hisórica capela, pouco resta da mesma, encontrando-se hoje perdida no meio da vegetação. Em 1870, Sir Francis Cook foi agraciado com o título de Visconde de Monserrate. Já no século XX, o seu bisneto, Sir Francis, vendeu o palácio a um particular (1946). Mais tarde, o Estado Português adquiriu a quinta e, desde 1978, o Palácio de Monserrate está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Nos nossos dias, e após cerca de meio século de encerramento, o público pode visitar de uma parte do interior do Palácio de Monserrate.

Nesta visita, o turista tem à disposição um guia que o ajudará a conhecer melhor, tanto o edifício como também os jardins. Assim, hoje, qualquer pessoa pode desfrutar da magia e romantismo que este lugar emana.

​

Fonte: http://www.historiadeportugal.info/palacio-de-monserrate/

Fonte do Átrio Principal
Fonte do Átrio Principal

 
 
 

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